Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2004

A falta de razão do amor

Procurei todas as razões possíveis e imaginárias para que, pelo menos uma, justificasse o que aconteceu.
Não encontrei.
Desesperadamente à procura de uma razão até que cheguei à conclusão de que não é preciso razão.
As coisas acontecem pelo simples facto de que têm de acontecer.
Busca-se uma vida inteira pela razão que justifique determinado acto e ficámos indeterminadamente apáticos quando não a vemos.
Mas será que é preciso uma razão?
Mas então, se não houver razão para que algo determine um acontecimento, por que se verifica esse facto?
Vivemos no caos?
O caos não precede ou procede com uma ordem ainda que sem ordem mas com uma necessidade de motivar novo facto?
Tenho lutado este tempo todo comigo mesmo no sentido de tentar perceber.
Não consigo.
E isso me destrói.
Me destrói o facto de não ser capaz, o facto de não conseguir, o facto de assumir a nulidade de tudo o que aconteceu.
Não encontrando razão para o motivo dum fim, que razão determinou um princípio?
E, por que razão durou um certo espaço-tempo?
Ou não há razão para nada?
Será que somos apenas marionetes?
Será que nem nos afectos somos os gestores dos mesmos?
Será que não há razão para amar?
indeterminado por quim às 17:25

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12 comentários:
De inde a 11 de Fevereiro de 2004 às 14:36
Lana: obrigado pelas tuas palavras. Te darei uma palavra diferente mas não aqui. Breve. Bj
De Lana Lua a 11 de Fevereiro de 2004 às 12:24
Querido Indeterminado, como queria dar-te um braço, neste momento, e dizer-te que vai ficar tudo bem! Sabes que me debato com as mesmas questões e nem sempre gosto das respostas que me aparecem.. Dizem-me que só sofremos com o amor quando somos doentios, quando procuramos o amor errado e porque somos nós mesmos que atraímos (porque buscamos, incessantemente) determinados tipos de amor (pessoas) e, portanto, o desfecho é sempre semelhante enquanto não formos capazes de ser, nós mesmos, a DETERMINAR o amor que vai funcionar, que vai correr bem e que não nos vai magoar. Mas como? Não nos apaixonamos por quem queremos, mas sem querer, não é? E a isto respondem-me, novamente, com a minha incapacidade para amar o que "devia", porque "não sei" dar valor ao que devo.. Virá isto da infância? Virá isto de uma falta de auto-estima crónica? Será que podemos aprender a amar de forma saudável? E, se assim for, seremos capazes de identificar outros semelhantes? Sinceramente, a psicologia não me convence. Não tenho respostas animadoras para mim e para ti. Sei que também amo quem não devia e não sei como resolver o problema. Já pensei dar uma marretada na cabeça, a ver se funciona. Antigamente, era assim; quando o método científico não resultava, era tempo de um bom pontapé no problema. Olha, dou-te a minha solidariedade e espero que continuemos a amar sem saber porquê nem para quê e que, um dia, quem sabe, afinal estejamos certos :)
De inde a 11 de Fevereiro de 2004 às 10:44
Talvez seja mesmo isso; somos parvos! Os animais não sofrem por amar; talvez não amem; talvez sim; quem sabe? Ou também sofrerão? Penso que não, penso que só mesmo nós, os humanos, é que GOSTAMOS de sofrer ao amar. Se é assim, se amar é sofrimento, porque gostamos tanto de sofrer desta "doença"? Não seria melhor deixar de amar para não sofrer? Em analogia com o "penso, logo existo" talvez se possa aplicar o "sofro, logo amo". Será que todos seriam felizes se deixassem de amar? Será que a dor de amor é apenas puro masoquismo?
De amora_silvestre a 11 de Fevereiro de 2004 às 09:25
««Mas por que raio de razão o amor TEM de terminar? E fazer doer se é amor?««//////// ...porque os seres humanos são estúpidos!?!?!?!
De inde a 11 de Fevereiro de 2004 às 08:51
Mas por que raio de razão o amor TEM de terminar? E fazer doer se é amor?
De as1160307 a 11 de Fevereiro de 2004 às 00:58
O amor quando surge, não nos diz por quem, como, nem onde! Não avisa! Ama-se e pronto! É irracional, contraditório por vezes, e absurdo em certos casos! Mas ele não se limita à recordação, é como uma ponte que tens que atravessar sem saberes o que te espera do outro lado, podes gostar ou não! O que o autor do livro quer dizer é que ao longo da vida temos vários amores, amores que surgem para fortalecer o nosso carácter, e ajudar a encontrar o verdadeiro amor, um amor que não se precisa de se justificar, que não morre com a distância, nem com o tempo, que não provoca amargura, nem dor!
De inde a 10 de Fevereiro de 2004 às 20:56
Se o amor não é um acto justificável, logo é...injustificável, não se justifica, não existe razão para amar; ama-se por amar, sem razão para o amor! O amor não tem razão de ser? Se o amor for como uma explosão de uma estrela brilhante, nada irás encontrar depois mas valeu a pena ver a explosão! O amor resume-se à recordação, é?
De as1160307 a 10 de Fevereiro de 2004 às 20:50
O amor não é um acto justificável! E claro que há razão para amar! Com ele aprendemos a dar valor às coisas da vida, a sermos menos egoístas, a crescer... mas para isso também temos de ser sinceros para nós mesmos!
E como diz Paulo Coelho no seu livro "O Alquimista":
(...) “se o que encontraste é feito de matéria pura, jamais apodrecerá. e poderás voltar um dia. se foi apenas um momento de luz, como a explosão de uma estrela, então não vais encontrar nada quando voltares. mas terás visto uma explosão de luz. e só isso já valeu a pena.” (...)
E ainda:
(...) “sempre antes de realizar um sonho, a alma do mundo resolve testar tudo aquilo que foi aprendido durante a caminhada. faz isso não porque seja má. mas para que possamos, juntamente com o nosso sonho, conquistar também as lições que aprendemos seguindo em direcção a ele. é momento em que a maior parte das pessoas desiste. é o que chamamos, em linguagem do deserto, morrer de sede quando as tamareiras já apareceram no horizonte.” (...) “uma busca começa sempre com a sorte do principiante. e termina sempre com a prova do conquistador.” (...)
E para finalizar:
“o amor não se vê com os olhos, mas com a alma” (...) “ninguém consegue fugir do seu coração. por isso é melhor escutar o que ele diz. para que jamais venha um golpe que não esperas.” (...)
“o medo de sofrer é pior do que o próprio sofrimento” (...)
“a traição é um golpe que não esperas. se conheces bem o teu coração, ele jamais conseguirá isso. porque conhecerás os teus sonhos e os teus desejos, e saberás lidar com eles.” (...)
De inde a 10 de Fevereiro de 2004 às 20:50
Mas por que razão tenho a possibilidade de encontrar alguém que ainda não amo e que não me venha a magoar? E, por que razão não tenho a possibilidade de não sofrer por amar quem amo?
De Cris a 10 de Fevereiro de 2004 às 19:39
Simplesmente porque existe a possibilidade de encontrares alguém que não te magoe... que te ajude a curar as feridas que carregas e te devolva a esperança que pareces ter perdido. O amor é dor...mas não se resume a isso. Força. Não desistas. :)

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