Domingo, 21 de Março de 2004

Visto-me

Chegou a hora de me vestir.
Já chega de andar nú.
Já chega de me verem simples e inútil.
Chegou a hora de eu partir.
Não mais me vereis a parir
palavras desconexas de cariz fútil.
Vou passar a usar roupas decentes
como usam todas as gentes
que se julgam não dementes.
Não me julguem por favor
que faço isto com rancor
ou por outro motivo de força maior;
faço-o por mim e por ti, amor
faço-o por ti e por mim
faço-o por todos os que sentem
e por todos os que deixaram de sentir
faço-o por tudo o que fui
faço-o por tudo o que quis ser
faço-o por tudo o que desejei
faço-o por tudo o que não obtive
faço-o sobretudo por já não ter
o que ainda há pouco tive.
Faço-o por ti,
faço-o por mim,
faço-me nú desta dor;
visto-me, assim, com algum pudor
de quem finalmente
já não sofre de amor!
indeterminado por quim às 21:32

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14 comentários:
De Ltus a 27 de Março de 2004 às 04:30
Sim ...vamos ;-))) há que experimentar estas novas asas... beijos ***
De inde a 24 de Março de 2004 às 08:26
Vamos enfrentar o renascimento. *
De Ltus a 24 de Março de 2004 às 02:15
Renascer ... sim ... esta é a estação do renascimento e nem mesmo nós humanos fugimos ao seu encanto ... e ainda bem ... fico feliz ...beijos ***
De inde a 23 de Março de 2004 às 11:52
Ajudei-te? Mas fico feliz por isso. Mas como, humildemente te pergunto...
De mariana a 23 de Março de 2004 às 10:44
Fico mt feliz por te ter ajudado, tb tu me ajudaste... e nem imaginas o qt. Obrigada!
De inde a 23 de Março de 2004 às 08:28
Palavras que não são uma forma de escrita mas tão somente um modo de gritar. Obrigado. Beijo.
De encandescente a 22 de Março de 2004 às 22:30
Gostei inde!! Um belo poema. Daqueles que se sente que a escrita escorreu da alma:)*
De inde a 22 de Março de 2004 às 15:50
A maior parte as vezes vivemos como que "adormecidos" num "sonho" do qual já acordámos há muito; é como o espírito que se julga ainda dentro de um corpo que já morreu; é um pouco o tema do filme "O sexto sentido" (em alusão ao teu blog) no qual o Bruce não sabia que já tinha morrido. É (foi)um pouco aqui a mesma coisa, a percepção da morte só agora se deu e só agora renasci dela para uma nova vida. Obrigado pelas tuas palavras. Beijos. (Não sei quem és, mas ajudaste-me)
De mariana a 22 de Março de 2004 às 13:59
Adorei ler hoje as tuas palavras, pelo poema, também, mas acima de tudo pela garra e lucidez que lhe estão inerentes.

Hoje o Sebastião escreveu algo, no sex in lisbon, que me tocou, que eu gostei e que me fez lembrar das nossas pequenas conversas nestas caixainhas. Quero partilhar contigo: "Não manter relações antigas sem futuro”. Para quê continuar a manter amores passados, sem qualquer perspectiva de futuro? Não será o mesmo que ocupar uma casa já ocupada?

Bjs
De inde a 22 de Março de 2004 às 11:58
Sim, é um pouco como que renascer. Vamos viver de novo; vamos deixar o lado mórbido da dor; vamos sorrir ao Mundo e desejar flores para enfeitar as palavras. :) *

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