Segunda-feira, 21 de Junho de 2004

Sons do passado

Marvao3.jpg
Foi numa altura em que ainda se conseguia lá ir com o carro; entrei pela porta principal e comecei a subir até ao mais pequenino sítio para se poder estacionar. Saí e o silêncio estava lá à minha espera. Havia um pouco de vento mas não sei de que quadrante. Fiz o restante do percurso a pé, até à zona mais perto do castelo, das muralhas.
Olhei em frente e em volta.
Fiquei fascinado. Nunca tinha visto as costas aos pássaros voando. Por baixo de mim e à volta das muralhas, os pássaros voavam abaixo do meu nível de visão. Era um enorme prazer o que a minha vista desfrutava.
O silêncio estava ali ao meu lado.
Inspirei fundo e retive o momento para que ainda hoje me lembre dele como se o estivesse a viver agora.
Há imensas rochas por ali. Imensa memória ali cravada na pedra, ali forjada em segredos de distância e de histórias que se conhecem mas também das que se não sabem; memórias de tempos imensos de glória e de luta.
Olhei a rocha e coloquei as palmas das minhas mãos na firme solidez fria das pedras; o que senti não foi “daqui” mas também não sei de onde foi; senti algo que me percorreu a alma e a minha memória encheu-se de imagens.
Inspirei novamente e de novo guardei o momento para o rever quando o quisesse viver de novo (o que estou a fazer agora).
O silêncio tinha som e imagem e esse som me transportou a tempos remotos para lá de tudo o que eu podia conhecer; as imagens, essas, foram nítidas e aqui estão, impressas para todo o sempre, num recanto de mim.
O vento sentia-se sem se ouvir e as minhas mãos começaram a aquecer; um formigueiro enorme me percorreu os braços, o tronco, a bacia e desceu pernas abaixo até que senti meus pés ferverem; estava ali debruçado sobre a rocha ouvindo o passado, sentindo como se ele ali estivesse presente dando-me a conhecer o que não tinha vivido.
A sensação tornou-se-me límpida e fresca e um sorriso se me aflorou nos lábios.
Retirei as mãos da pedra e comecei a descer para o carro.
Acabava de viver algo de inesquecível. Tinha pura e simplesmente viajado no tempo, tinha ido ao passado, tinha recuado uns séculos e o som e a imagem ficaram comigo.
Apesar de tudo, senti paz.
Fica ali, no Alentejo, mesmo perto da fronteira e chama-se Marvão.
Preciso de lá voltar.
indeterminado por quim às 13:38

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8 comentários:
De betania a 3 de Julho de 2004 às 00:48
Pelos vistos, é uma maravilha. Não conheço, mas se tu o dizes, acredito. Eu já lá estou, a ver os
pássaros, a sentir o silêncio...a respirar fundo
a paz q dali se avista.............

Beijinho
De inde a 28 de Junho de 2004 às 14:10
Restam-me apenas recordações.
De grilinha a 27 de Junho de 2004 às 02:43
Bonito texto. Belas sensações a de "recordar" ... é viver.
De sei l...... a 27 de Junho de 2004 às 02:12
Anda tudo bem por aí? Um bom domingo!
De seil...... a 24 de Junho de 2004 às 09:51
Bom dia! Tenho estado a par deste recanto. Não me esqueço dos amigos,e lá chegará o momento de TE escrever. Também gosto muito do Marvão, mas Monsaraz é o meu sítio de plenitude a seguir ao mar. Um sorriso nesta manhã de norte! (e cá continuo nos blogs e no espaço "lá fora" rs)
De salatia a 23 de Junho de 2004 às 23:12
Visitei Marvão pela primeira vez faz bem pouco tempo e se já imaginava que seria um local mágico, mais maravilhada fiquei com a quietude que locais como esse transmitem. A par com Monsaraz é um dos meus locais eleitos...o Alentejo guarda recantos assim. Beijo
De inde a 23 de Junho de 2004 às 11:50
Marvão é um lugar mágico.
De aran_aran a 21 de Junho de 2004 às 21:44
Marvão!! Faz tempo que por ai passei... e a paisagem magnifica... lembro-me que o frio imperava na altura, sentia-se a húmidade no ar, e a terra que o circundava pintava-se em verde musgo por entre rochas que a circundavam... magnifico...bjos

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