Segunda-feira, 10 de Julho de 2006

floresta

"... num determinado dia da minha vida (não o sei localizar nem no tempo nem no espaço) encontrei um mundo novo à minha frente: era o mundo das palavras!... Uma espécie de mar revolto ou melhor ainda, uma floresta densa, muito espessa, com imensas árvores e cada uma com imensos ramos que se ramificavam uns nos outros... olhei a floresta de frente mas não encontrei uma vereda para nela entrar... os caminhos, em sucalcos, eram imensos e tortuosos... aventurei-me por um deles e comecei a penetrar o mundo das palavras, o mundo daquela nova floresta ali à minha frente e que me começou a cercar por todos os lados... o caminho foi longo e muito árduo mas ao mesmo tempo, sempre que acabava de percorrer uma vereda, sentava-me a descansar e sentia-me (como ainda me sinto) feliz... feliz por ter percorrido mais uma etapa... mas a floresta não tem fim nem lhe diviso a tal luz ao fundo do túnel porque ela, esta floresta, não tem fim, não tem o descanso do guerreiro... é uma vereda imensa a percorrer todos os dias das nossas vidas e na qual adoro estar... ao longo do tempo aprendi a amar estas árvores, estes ramos e estas ramificações... acho que já faço parte do arvoredo mesmo sem tentar subir à copa das árvores... bastam-me os ramos e a sua sombra frondosa para descansar este amor imenso que sinto pela palavra, pelo verde que ela encerra, pelo odor que nos penetra e pelo toque que ela se permite a si mesma ser tocada... amo-as porque por mais ténues que elas sejam ou difusas nos raios de luz que penetram a floresta, elas nascem de mim para todos vós..."
indeterminado por quim às 17:44

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1 comentário:
De cinda a 5 de Setembro de 2006 às 08:24
As palavras do teu texto são muito belas, como as de todos que escreves. Nesse arvoredo, denso, verdejante e tranquilo, espreitam por vezes ameaças insuspeitáveis, gritos onde despontam novos rebentos em busca de uma réstia de sol. A Natureza nem sempre é sábia como a julgamos; e assim, na ânsia de vencer o mais forte, mirram à nascença ramos que poderiam mostrar-nos um verde diferente...Quedam-se, altivos e arrogantes, esses troncos altos que dão sombra mas também silenciam.
Desbravemos, pois, a mata das palavras para que todas elas desabrochem viçosas como o sorriso que lhes eiva tão débil folhagem.

Um beijinho, mago das palavras! :)*

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