Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2004

Metade

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor, Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento. Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade...
também.

de Oswaldo Montenegro

(enviado por Raposa)
indeterminado por quim às 21:00

link do post | indetermine | favorito
|
12 comentários:
De amora_silvestre a 29 de Janeiro de 2004 às 21:27
...é pa, eu acho q ñ tenho nada mais a dizer!...penso q ninguém(!) coloca em dúvida a autoria do Abrunhosa...irrraaaa, aquilo faz parte da apresentação do CD «Silêncio»
De inde a 29 de Janeiro de 2004 às 10:44
Raposa e Amora: em que ficámos?
De amora_silvestre a 28 de Janeiro de 2004 às 23:33
...ó raposa, e depois...????...não deixa de ser do Abrunhosa...mas tem piada, o outro - o do sapo - tb. cop&pastou desse site...'tá visto!, pq pastou tudinho, mas tudinho mesmo...como sendo dele!!!...a única diferença q aqui noto, para lá dos nomes, mas pode um deles ser nick...é q este, do site, dedica à namorada...o outro, ao namorado!!! eheheheh
De Raposa a 28 de Janeiro de 2004 às 23:22
PS: compilado de http://www.sapo.pt/cgi/getid?id=http://poemasfixes.no.sapo.pt
De birdy a 28 de Janeiro de 2004 às 23:05
ao ler este poema de montenegro lembrei de uma frase : "prefiro ser odeiado por aquilo que eu sou do que ser amado por aquilo que eu nao sou"
gosto muito da utilidade que das ao teu blog,
parabens!
birdy
De amora_silvestre a 28 de Janeiro de 2004 às 23:00
silêncio
(Pedro Abrunhosa / Pedro Abrunhosa)

Silêncio é a palavra que habita, que palpita
Toda a música que faço.
É a cidade onde aportam os navios
Cheio de sons, de distância, de cansaço.
É esta rua onde despida a valentia
A cobardia se embriaga pelo aço.
É o sórdido cinema onde penetro
E encoberto me devolvo ao teu regaço.
É a luz que incendeia as minhas veias,
Os fantasmas que se soltam no olhar,
Que te acompanham nos lugares onde passeias,
É o porto onde me perco a respirar.
Silêncio são os gritos de mil gruas,
E o som eterno das barcaças
Que chiando navegam pelas ruas,
E dos rostos que se escondem nas vidraças.

Quem me dera poder conhecer
Esse silêncio que trazes em ti,
Quem me dera poder encontrar
O silêncio que trazes por mim.
Pelo silêncio se mata,
Por silêncio se morre,
Tens o meu sangue nas veias,
Será que é por mim que ele corre?

Somos dois estranhos
Perdidos na paz,
Em busca de silêncio
Sozinhos demais,
Somos dois momentos, X 2
Dois ventos cansados,
Em busca da memória
De tempos passados.

Silêncio é o rio que esconde
O odor de um prédio enegrecido,
O asfalto que me assalta quando paro,
Assomado por um corpo já vencido.
Silêncio são as luzes que se apagam
Pela noite, na aurora já despida,
E os homens e mulheres que na esquina
Trocam prazeres, virtudes, talvez Sida.
Silêncio é o branco do papel
E o negro pálido da mão,
É a sombra que se esvai feita poema,
Num grafitti que é gazela ou leão.
Silêncio são as escadas do metro
Onde poetas se mascaram de videntes,
Silêncio é o crack que circula
Entre as ruas eleitas confidentes.

Quem me dera poder conhecer
Esse silêncio que trazes em ti,
Quem me dera poder encontrar
O silêncio que trazes por mim.
Pelo silêncio se mata,
Por silêncio se morre,
Tens o meu sangue nas veias,
Será que é por mim que ele corre?

Refrão

Silêncio é este espaço que há em mim,
Onde me escondo para chorar e ser chorado,
É o pincel que se desfaz na tua boca,
Em qualquer doca do teu seio decotado.

Refrão

Silêncio...

De amora_silvestre a 28 de Janeiro de 2004 às 22:59
...ó raposa!, 'tás a gozar com a malta!???:->...átão agora esse pedacinho de texto do CD do Abrunhosa - SILÊNCIO - só porque lhe trocaram o "música" por "escrever" passou a ser desse Hugo ñ sei das quantas!???? [chocadissimaaaaaaaaaaaaa]

...tem piada q há dias tive q me passar com um tal "venturinha", num dos foruns do sapo pq o fulaninho queria engatar o amiguinho dele e vai de tentar fazer passar como seu o q é do outro...do Abrunhosa!, não do amiguinho! [sarcástica-ao-cubo]

«Silêncio: Para ouvir alto.

O silêncio é a mais perfeita forma de música. Nele eu me escondo, me encanto e pernoito as palavras que te irão encontrar. O silêncio é a minha obsessão, a minha forma de te escutar. Eu sei que estás aí, que me ouves e me percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também.

Pedro Abrunhosa
http://www.abrunhosa.oninet.pt/publico/album_03.asp (http://www.abrunhosa.oninet.pt/publico/album_03.asp)

...ai...ai...valham-me todos os deuses...
De Raposa a 28 de Janeiro de 2004 às 22:28
to indeterminado: [sem título] / O silêncio é a mais perfeita forma de escrever . Nele eu me escondo, me encanto e pernoito as palavras que te irão encontrar. O silêncio é a minha obsessão, a minha forma de te escutar. Eu sei que estás aí, que me ouves e me percebes. Sei que sentes os meus silêncios. Eles são os teus também. / de Hugo Emanuel dos Santos Faria
De PanteraNegra a 27 de Janeiro de 2004 às 22:41
Acho que este poema simboliza a luta interior que existe em todos nós humanos, no que se refere ao lado espiritual/sentimental! Nada tem a ver com o ser ou não completo! Indeterminações temos nós, a toda a hora e a todo o instante, e no entanto avançamos ou recuamos consoante o ditar da nossa consciência!...
De inde a 27 de Janeiro de 2004 às 14:19
A indeterminação não nos provoca sensação de impotência; a indeterminação é a impotência; se te sentes também assim, porque razão não nos podemos determinar?.................
Sim, tenho muito, mas mesmo muito para contar, indeterminadamente sim talvez mas na verdade não e nunca incompleto! Bj

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Outubro 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.últimas indeterminações

. eu

. floresta

. Saudade

. Aniversário

. Amar como o vento

. Gostoso

. Solidão

. Gostos

. Não sou aquário de signo,...

. pormenor

.torres do tombo

. Outubro 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

. Janeiro 2004

. Dezembro 2003

. Novembro 2003

blogs SAPO

.subscrever feeds