Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2004

Silêncio


Silêncio é a palavra que habita, que palpita
Toda a música que faço.
É a cidade onde aportam os navios
Cheio de sons, de distância, de cansaço.
É esta rua onde despida a valentia
A cobardia se embriaga pelo aço.
É o sórdido cinema onde penetro
E encoberto me devolvo ao teu regaço.
É a luz que incendeia as minhas veias,
Os fantasmas que se soltam no olhar,
Que te acompanham nos lugares onde passeias,
É o porto onde me perco a respirar.
Silêncio são os gritos de mil gruas,
E o som eterno das barcaças
Que chiando navegam pelas ruas,
E dos rostos que se escondem nas vidraças.

Quem me dera poder conhecer
Esse silêncio que trazes em ti,
Quem me dera poder encontrar
O silêncio que trazes por mim.
Pelo silêncio se mata,
Por silêncio se morre,
Tens o meu sangue nas veias,
Será que é por mim que ele corre?

Somos dois estranhos
Perdidos na paz,
Em busca de silêncio
Sozinhos demais,
Somos dois momentos, X 2
Dois ventos cansados,
Em busca da memória
De tempos passados.

Silêncio é o rio que esconde
O odor de um prédio enegrecido,
O asfalto que me assalta quando paro,
Assomado por um corpo já vencido.
Silêncio são as luzes que se apagam
Pela noite, na aurora já despida,
E os homens e mulheres que na esquina
Trocam prazeres, virtudes, talvez Sida.
Silêncio é o branco do papel
E o negro pálido da mão,
É a sombra que se esvai feita poema,
Num grafitti que é gazela ou leão.
Silêncio são as escadas do metro
Onde poetas se mascaram de videntes,
Silêncio é o crack que circula
Entre as ruas eleitas confidentes.

Quem me dera poder conhecer
Esse silêncio que trazes em ti,
Quem me dera poder encontrar
O silêncio que trazes por mim.
Pelo silêncio se mata,
Por silêncio se morre,
Tens o meu sangue nas veias,
Será que é por mim que ele corre?

Refrão

Silêncio é este espaço que há em mim,
Onde me escondo para chorar e ser chorado,
É o pincel que se desfaz na tua boca,
Em qualquer doca do teu seio decotado.

Refrão

Silêncio...

(from: Pedro Abrunhosa/Pedro Abrunhosa)

enviado por Amora-silvestre
indeterminado por quim às 10:47

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3 comentários:
De PanteraNegra a 29 de Janeiro de 2004 às 21:36
to indeterminado: mmmmm... pela sua resposta os textos devem ser bastante promissórios!!! Bom, fico à espera ansiosamente por esse momento! Até breve!...
De inde a 29 de Janeiro de 2004 às 21:00
Tenho textos para publicar aqui. Mas ainda não achei oportuno. Breve serão.
De PanteraNegra a 29 de Janeiro de 2004 às 20:42
to indeterminado: oh! ainda não é desta que publicou um artigo da sua autoria! Quanta curiosidade a minha! Quanta curiosidade, que resolvi editar este "improviso" simbólico de um outro ex-bloguista (já cá não mora!!!):
Amarras... /

Perante teu olhar atento,/
Sou julgada/
E meu tempo penhorado./
Por tua experência é sabido,/
Minha mente sedenta alimentas/
com o nunca prometido.../

E certo do meu regresso/
Nessas esperanças embarcas,/
Sem pedir nada, sentir/
Meu probo sentimento.../

de as1160307
in http://improvisos.blogs.sapo.pt/ (http://improvisos.blogs.sapo.pt/)

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