Domingo, 30 de Maio de 2004

Precisão

"I do not need

to be a part of your sadness;

I just need to be

the reason of your smile."
indeterminado por quim às 15:48

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Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

De meus lábios nasce a noite

Vem daí conversar comigo porque a noite está escura...
Senta nessa pedra que talvez não exista mas q invento
E deixa-me aninhar aqui aos teus pés com ternura...
Sim, amor, pouso a cabeça no teu colo e choro
Enquanto as tuas mãos me acalmam e me secam os lamentos...
É nesse teu sorriso que eu me escondo e onde eu moro...
É nessas tuas mãos que abandono as vestes de guerreira.
Quero o teu corpo por abrigo e por esteira
Nele me rendo enquanto nestes dedos me abandono
E te digo como me sinto quando me deito na bebedeira
Do cheiro da tua pele para te sentir meu dono...
Estranhas talvez que me desarme e parta de mim como num sonho
Mas não suporto mais o peso da armadura e da máscara de ferro...
Batalho por um mundo de sorrisos e sou guerreira pela vida
Mas também sei como doi sentir-me perdida quando não sei sair dos escombros...
Nestas horas sinto o frio da nudez no consolidar da ausência
E sei que é ténue a linha da lucidez que me consente a permanência...
Sei q me estranhas tão nua... tão vazia de beijos e de gestos lentos
Mas não basta ser tua para esquecer que não existo... já nem sou gente!
Cobre-me da paz que se desprende dos teus braços...
Talvez o abraço me desperte... e me aqueça...
Talvez o meu corpo arqueie novamente
E o meu ventre no teu ventre nos enlouqueça...
Talvez os teus olhos ainda saibam sorrir e aos meus apeteça
Aprender a lutar de novo... e a vestir mais uma vez a limalha
Que me protege a alma do escuro e do medo da noite...
E, quem sabe, meu amor...talvez o amor aconteça!...



(from: Cris, chatalinda)
indeterminado por quim às 15:58

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Quinta-feira, 27 de Maio de 2004

Sendo

Morri da mineralidade
e me tornei vegetal;
e da vegetabilidade
morri e me tornei animal.
Morto da animalidade
me transformei num homem.
Depois, porque desaparece
o medo através da morte?
Breve morrerei
trazendo asas e penas como os Anjos.
Depois disso, mais alto do que eles
e o que não consegues imaginar,
Eu o serei!...


(from: Rumi, in www.khamush.com/poems)
indeterminado por quim às 17:55

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Terça-feira, 25 de Maio de 2004

Olvido


Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor...
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste...

Ias andar, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação...



(de Camilo Pessanha, in: rimas.mmacedo.net)
indeterminado por quim às 12:02

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Segunda-feira, 24 de Maio de 2004

O outro lado

...as pessoas crescem "suavemente" e "pragmaticamente"
...disto eu não tenho dúvidas (até ao momento) pois tudo o que cresci eu não notei
...só agora noto e descubro que, apenas, cresci...
...não me senti crescer
...não senti o tempo passar
...não peguei no esqueleto e não reconstruí o corpo...
...apenas e tão simplesmente
...aconteceu...
...estou aqui...

...no outro lado do esqueleto...




(li isto algures, aqui na net)
indeterminado por quim às 10:58

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Sábado, 22 de Maio de 2004

Subentendimentos

Há uma coisa que é necessário definir: todos nós, quando escrevemos (ou falamos), dizemos coisas reais e dizemos coisas irreais.
Fazemos um misto de retórica vã e não só; colocamos muito de nós e também muito daquilo que vai no nosso imaginário; não só falamos do que sabemos como também falamos do que não sabemos mas, principalmente, falamos com a Alma, com aquilo a que eu chamo de "desejo".
Fala-se do que "desejaríamos" que assim fosse.
Quando não "foi assim" então fala-se do desejo de não ter sido como desejáramos que tivesse sido.
Somos todos duma ambiguidade angustiante (quer se queira admitir isto ou não); mentimos a nós mesmos para nos desculparmos de tudo só que nos esquecemos que não somos culpados de nada.
A ilusão não está em nós mas em tudo o que nos é dado como perceptível, ou seja, o que nos rodeia é que pode ser ilusão; nós não somos uma ilusão.
A ilusão gira à nossa volta e tenta-nos de forma a que se perca a noção do que é a verdade e do que é a mentira; ficamos, então, apenas com o que temos; e o que é que temos? A esperança de estarmos enganados ou de nos termos enganado e de que há ou vai haver solução.
Desesperadamente procuramos resolver esse problema.
Doutras vezes, desistimos e deixamos que tudo "morra" no limbo do esquecimento; no entanto, esse limbo é também ele mesmo uma ilusão pois o esquecimento não é viável; não podemos "cortar" ou "apagar" a memória. E esta é a que nos devora; engole-nos por vezes duma forma assustadora e noutras vezes duma forma mais suave mas não deixa nunca de nos engolir.
Somos como que absorvidos por esse buraco negro que é a lembrança; lembramos tudo, principalmente o bom porque subsconscientemente escondemos num recanto da nossa memório tudo o que foi mau; até porque nunca tivemos a culpa do mal ou do mau acontecido. Somos uns eternos inocentes.
Fazemos assim, ao longo da vida, exorcismos aos nossos demónios em vez de lançarmos louvores aos nossos anjos; passamos uma vida inteira a lamentar o inlamentável em vez de nos alegrarmos com tudo o que não deve ser esquecido. E tudo, tanto o bom como o mau, deve ser contabilizado na nossa passagem por esta dimensão do aqui e agora.
E só há uma forma de se "conviver" nesse estádio de vida: é aceitar o que nos é dado viver; é aceitar o que nos é dado pois nada daquilo que "temos" é nosso; foi-nos concedido passar por isso, foi-nos concedido vivermos nisso, foi-nos concedido vivenciar determinados factos, factos estes que serão única e exclusivamente nossos e de mais ninguém; mais ninguém no universo sente o que eu sinto, mais ninguém no universo sente o que tu sentes.
Somos seres únicos, individuais e totalmente imperfeitos. Vamos a caminho da perfeição mas que tarda em chegar. Vamos ter muito que caminhar ainda até conseguirmos a espiritualidade do ser.
Porém e como ainda somos imperfeitos é-nos "concedida" a capacidade de "chorar".
É por isso que nada nos satisfaz.
É por isso que buscamos a felicidade (quando ela está aqui, dentro de nós).
É por isso que sofremos.
É por sermos ainda imperfeitos que não sabemos (ainda não aprendemos) aceitar.
No que me diz respeito, tento duma forma lenta mas sistemática, tentar aceitar mas, na verdade vos digo, que não é fácil e, por vezes pois, preciso de "gritar" e de usar a tal forma de equilíbrio que me permita lentamente sentir o caminho que piso numa caminhada que sei tenho de fazer, sem olhar para o caminho mas apenas com a vontade enorme e grandiosa de caminhar.
indeterminado por quim às 11:44

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Sexta-feira, 21 de Maio de 2004

Sem título

Chaplin.JPG

Uma imagem "oferecida" pela Sei lá.
indeterminado por quim às 11:39

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Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

Para E. Cruz:

klimt058.JPG

Era esta imagem de Klimt que querias enviar? Aqui fica.
indeterminado por quim às 08:53

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Terça-feira, 18 de Maio de 2004

Avalon

Tor2.JPG
Gosto desta imagem pelo mistério que ela encerra; não a imagem mas o que ela deixa perceber; uma Torre erigida ou dirigida para onde?
indeterminado por quim às 11:29

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Sábado, 15 de Maio de 2004

Uma simples carta

A carta que te escrevo aqui e agora é o que "eu" sinto e penso da vida e não "serve"
para todos; não há respostas definitivas e únicas para todos nós; vivemos
num mundo de desafectos em vez de vivermos num de afectos; vivemos num mundo
onde o sentirmo-nos bem com a nossa própria identidade é já tão dificil que
usamos estas identidades "falsas" para podermos falar e ouvir.
Já nos falta a "coragem" de enfrentarmos os outros, de olharmos os olhos uns
dos outros e dizermos a quem estiver na nossa frente o que sentimos, o que
pensamos, o que queremos, o que temos, o que podemos ser e, principalmente, o
que podemos dar.

A vida já vai longa para mim e já vivi muito e quase tudo o que um homem
pode viver; passei de tudo um pouco e os anos foram-me tornando "duro" e um
pouco "sóbrio" perante as bebedeiras da vida.

A vida não é fácil e tudo o que a vida nos dá é pouco porque queremos
sempre mais e melhor; passamos a vida a lutar por um lugar ao sol e esquecemos
o quanto bom é refrescarmo-nos numa sombra.

Passamos o tempo a "querer", passamos o tempo a "desejar", passamos o tempo a
"ter", a "possuir", a "querer ter ainda mais". Esquecemo-nos de dar!

E, um dia, ficamos de mãos vazias e ficamos sem nada e lamentamos termos ficado
sem tudo o que haviamos tido; que desgraça enorme; perdi tudo; perdi os bens;
perdi a namorada; perdi os filhos; perdi a mulher; tanto amor perdido! Tudo o
que tinhamos se foi. E passamos a ser uns eternos infelizes!...

Errado!...

Nunca tivemos nada! Porque não somos donos de nada! Nada temos! Nada possuimos!
Nada é nosso!

Só dando é possivel ser feliz!
Desejar tudo de bom para o outro!
Querer que a mulher que pensava ter "perdido" esteja feliz agora (por exemplo ao
lado doutro grande amor) mesmo sem ser a meu lado!
Darmo-nos aos outros de todas as formas, de todas as maneiras.
Não pretender ser amados.
Amar somente.
A felicidade está em amar, tão somente em amar e sentir que amar é estar
feliz consigo mesmo.

Amar sem posse nem destino.
Amar incondicionalmente.

Não chorar sobretudo porque é preferivel sorrir e mesmo que por dentro a alma
se parta aos bocadinhos que nos reste um sorriso nos lábios para dar aos
outros.

Foi isso que aprendi ao fim de muitos anos.
Não fui, não sou nem quero ser dono do que quer que seja.
Quero olhar e desejar que todos estejam melhor do que eu.
Escolho o melhor para ti.
Ao fazer isto faço-o com alegria, com gosto e sou feliz!

É esta a resposta: não há caminhos para a felicidade; esta, é o caminho.
Não interessa que caminhos havemos de percorrer, o que interessa é caminhar
com a certeza de que "escolher" o melhor para o outro é a base do meu bem
estar. Sentir que com essa "escolha" eu estou a caminhar e não à procura do
caminho.

Estas palavras não "servem" para todos, eu sei.
Mas não sei outras.

Tudo o que possas ler nos meus escritos são uma mistura de
credulidade e de incredulidade; são uma mistura de fé e de raiva; são uma
mistura de sim e de não. Pela simples razão que precisamos dessa "balança"
para o nosso equilíbrio.

Mas, o cerne da questão está lá, nas entrelinhas e estas são as que acabo de
te escrever.

Não sei se era "isto" que querias ouvir, se era esta a "mão" que precisavas;
acredita que é a única que tenho e dei-te o que tinha: tempo, palavras, um
desejo firme de felicidade para ti...

para já, escolho para ti um sorriso.


indeterminado por quim às 10:59

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