Quarta-feira, 31 de Março de 2004

2001

2001<Aconselho o visionamento deste "site" até ao final. Para quem viu o filme, ficará com a ideia que presidiu à sua elaboração e à mensagem que Stanley Kubrick transimitiu.
indeterminado por quim às 21:31

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Não te quero escrever

...eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que já anda no meu pensamento há milhares de anos e nunca tive essa oportunidade; há dias, quando surgiste na minha vida, um pouco espantada pela vida, um pouco alheada do próprio mundo, quando ali surgiste espelhada na minha alma, eu estive quase quase para te dizer... ...penso que me faltou a coragem e a voz se me embargou; calei dentro de mim o que deveria ter gritado; talvez tenha esquecido a forma de gritar, talvez só saiba calar... não sei... já não sei... ...mas eu tinha qualquer coisa para te dizer, algo que me possui e me rasga a mente, num acto demente do meu próprio ser de aqui estar sem saber falar, sem saber o que te dizer, sem saber gritar o que tanto tenho calado... milhares de anos de silêncio dentro de mim; milhares de anos de solidão da minha própria voz; milhares de anos de espera que surjas ali à esquina, em qualquer lugar, e num momento de paz eu te possa gritar todo o meu amor... ...áhh dor que dói e me corrói a alma de tanto calar esta tão louca forma de te amar... dor de aqui estar e não saber o que te dizer, de não saber traduzir esta minha forma de tão somente te sorrir... ...e sorrio-te a todo o instante, aqui, ali, em qualquer lugar ainda que distante... não me preocupa se me ouves, se escondes as palavras que tão docemente me são devolvidas porque não enviadas; doces palavras de paz, ternura, carinho, amor... em doses de candura mas eivadas de toda a minha dor... ...estão aqui mas sei que tinha qualquer coisa para te dizer; como posso gritar se a voz se me tolda em silêncios ocos e sem eco ou se com eco ecoam apenas dentro do meu vazio, um vazio que não preencho ou se preencho apenas o preencho com a minha própria alma já de si tão gasta por durante todos estes milhares anos não me teres dito: Basta!... (from: Lobices Nov2003)
indeterminado por quim às 08:48

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Segunda-feira, 29 de Março de 2004

Reconciliação

Regressei a casa
repondo a história
sem julgamentos,
abolindo os condicionais,
revendo acontecimentos,
bons e não tão bons,
só com o meu testemunho
e das paredes,
dos objectos, do espaço,
completamente sem outros,
e partilhei reconciliada
toda a vida
que nela existiu.
O princípio da paz.

(enviado por Eureka_cruz@sapo.pt)
indeterminado por quim às 11:04

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Sexta-feira, 26 de Março de 2004

Imagens

“…encosto a cabeça no vidro semiaberto e fecho os olhos por segundos; pela frincha sai o fumo do cigarro ao mesmo tempo que as gotas da chuva varrida pelo vento tenta entrar com força. Não há lágrimas que se comparem às que batem no tejadilho do carro; o vento sopra forte de sul e as ondas alterosas mostram-me um mar agitado porque de si próprio aquelas lágrimas haviam saído uns dias antes. Percorro a visão até ao horizonte cinzento-escuro e vejo um relâmpago descer sobre as águas. Imagem bela e soberba. O céu zangado como me ensinaram em criança. O interessante era terem mais medo do trovão do que do relâmpago. Havia uma cantilena que rezavam fechadas no quarto; algo que no meio das palavras semi comidas pela reza eu percebia algo como santa bárbara; mais tarde vim a saber que Santa Bárbara tem a ver com as trovoadas, dizem. Imagens da infância que recordo com saudade. Um corpo deitado no chão da sala, uma chupeta e um açucareiro ao lado; e lá ia eu molhando a chupeta no açúcar e chupando; ainda hoje gosto de comer açúcar. Um corpo escondido no meio do centeio que não se dobrava pelo vento; um corte num pé provocado por um vidro escondido. Umas mãos pequenas pegando nas pombas que existiam no pombal do pai. Uma gaveta com postais antigos do Brasil que meu avô trouxera. Um retrato enorme dele e de minha avó no dia em que casaram, pintado a carvão. Era imponente. Um fogão de lenha crepitando. A chuva que entrava pelo vidro começou a molhar-me a face e a cabeça e o cigarro já me estava a saber mal. Liguei o motor, fiz marcha-atrás e arranquei dali para fora. Para lá do mar ficava o sonho, o sonho que sempre tive de o enfrentar, o sonho que sempre tive de me meter dentro dele e o amansar. Nunca conseguido. Os faróis foram ligados porque a penumbra já era demasiadamente escura para ser dia. A noite que se aproximava iria brindar-me com mais recordações; é isso que faço para adormecer todas as noites; relembro imagens distantes e tento reconstruir a vida que já não existirá nunca mais. Puzzles de imagens, de sons e de choros e de risos, de quedas, de corridas, de corpos cheios de calor abraçando-nos. Porque me faz tanta falta esse abraço de outrora? A estrada à minha frente ainda era longa e a noite me esperava…”
indeterminado por quim às 17:48

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Quinta-feira, 25 de Março de 2004

Quero lá ir

Madeira.JPG
Quem me leva lá?
indeterminado por quim às 18:34

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Quarta-feira, 24 de Março de 2004

Submissão

Patroa de mim
meu peso ninguém carrega
porque leveza peso não tem
e a si se sustém.
Doutros puxo o que é leve
a quem o peso não afunda.
Destes, os do fundo, despeguei
pois seu espaço respeitei
e depois abandonei.
Patroa de mim
mas submissa da Vida,
dela sou todo que me domina
e ínfima parte que me destina.
Busco sabê-la
no que me invade
e no que conhecimento já sabe,
sabendo que Saber
ninguém o sabe.
Só Vida domina o que dela,
em tempos diversos,
a cada um e relativo a todos,
do absoluto ensina.
Destes domínios
em absoluto mistério
uma ideia precisa
ela em mim persiste.
Na invisibilidade natural
o Amor já comanda
contrário ao que visível império manda.

(from: Eureka_cruz@sapo.pt)
indeterminado por quim às 11:02

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Terça-feira, 23 de Março de 2004

Mudança

Espalhou a alva espuma sobre a cara húmida; acariciou a face ao fazê-lo, como que num ritual que era obrigado a cumprir. Pegou na lâmina e começou, como de costume, a desfazer a barba a partir do canto inferior esquerdo do pescoço no sentido de baixo para cima. Era uma carícia "azêda" mas que sabia bem. No final, meteu outra vez a cabeça debaixo da água fria e sentiu o gelo refrescar-lhe a ardência facial; pegou no bálsamo e untou a cara e o pescoço; o cheiro não é activo e até é bastante agradável porque para além de refrescar torna a pele macia (naquele momento, claro).
Com uma toalha secou o cabelo esfregando-o fortemente e penteou-se de seguida num ritual também demasiadamente frustrante porque sempre igual; desejava ter outro tipo de penteado mas o raio do cabelo não lho permitia.
Sorriu novamente e mais uma vez piscou um olho a ele mesmo.
Seguiu para o quarto. Despiu as calças de pijama e vestiu-se a rigor para enfrentar o vento norte frio que soprava lá fora.
Eram oito e meia e o sol tinha nascido havia ainda pouco tempo.
Meteu o nariz de fora e aspirou a névoa matinal. Fresca, suave e pura.
Tentou olhar o sol mas logo retirou o olhar.
Meteu-se a caminho.
Sentia uma paz estranha. Parecia a primeira vez que fazia aquilo. Ou seria mesmo a primeira vez?
Caminhou forte no sentido sul para norte, tal como daquela vez em que se meteu à chuva e a sentiu no corpo refrescando-lhe a alma.
Desta vez não sentiu essa necessidade; desta vez a vontade era apenas a de usufruir de uma manhã fria de sol neste inverno que findara e nesta primavera que acabara de começar.
Caminhou apenas com largas e longas passadas até sentir o corpo aquecer e o ar frio começar a encher de calor os seus pulmões.
Respirava fundo e compassadamente.
Ao fim da longa rua a subir, parou.
Encostou-se a um muro e descansou.
Olhou para dentro da sua alma e declaradamente entendeu a mensagem: tinha mudado, pura e simplesmente estava mudado.
Tivera de caminhar noutro sentido.
Iniciara, pois, o novo percurso.
Sentiu-se bem.
Sorriu.
Sentia-se feliz.
indeterminado por quim às 17:45

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Segunda-feira, 22 de Março de 2004

Determinado

Olhou-se ao espelho naquela manhã de vento norte que forte soprava na sua janela; os seus olhos marcados por largas olheiras de uma noite mal dormida não lhe permitiram uma razoável visão; colocou os óculos; mirou-se melhor; a boca estava seca e os lábios pareciam cortados; o cabelo despenteado ainda que curto cortado; o nariz comprido deu-lhe a noção de grandiosidade que não tinha (nem queria, ou será que sim?); retirou os óculos e pousou-os perto.
Abriu a água fria e meteu a cabeça debaixo do jacto; estremeceu e abanou a cabeça como cachorro molhado há pouco; olhou-se de novo; pela cara escorriam as gotas da água com que se fizera acordar daquele sono pesado; olhou profundamente nos seus próprios olhos mas teve de colocar novamente os óculos para se ver melhor.
A imagem que mirava era interessante apenas porque nova; quem via era alguém que já não via há muito tempo.
Estava ali, à sua frente, alguém que tinha dormido um sono bastante longo.
Estava ali, à sua frente, alguém que acordara de novo.
Foi preciso uma espécie de baptismo.
Foi preciso nascer de novo, como que surgir do ventre materno e sentir a placenta feita água gelada escorrer-lhe pela face.
Sorriu.
Sentiu-se novo, bonito, airoso, sorridente.
Piscou um olho a ele mesmo.
Sorriu de novo.
Pegou na espuma de barbear.
Tinha toda uma nova vida à sua frente.
indeterminado por quim às 17:10

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Domingo, 21 de Março de 2004

Visto-me

Chegou a hora de me vestir.
Já chega de andar nú.
Já chega de me verem simples e inútil.
Chegou a hora de eu partir.
Não mais me vereis a parir
palavras desconexas de cariz fútil.
Vou passar a usar roupas decentes
como usam todas as gentes
que se julgam não dementes.
Não me julguem por favor
que faço isto com rancor
ou por outro motivo de força maior;
faço-o por mim e por ti, amor
faço-o por ti e por mim
faço-o por todos os que sentem
e por todos os que deixaram de sentir
faço-o por tudo o que fui
faço-o por tudo o que quis ser
faço-o por tudo o que desejei
faço-o por tudo o que não obtive
faço-o sobretudo por já não ter
o que ainda há pouco tive.
Faço-o por ti,
faço-o por mim,
faço-me nú desta dor;
visto-me, assim, com algum pudor
de quem finalmente
já não sofre de amor!
indeterminado por quim às 21:32

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Sábado, 20 de Março de 2004

Primavera

Deito-me na fragância que exalas
e suspiro de extremo e grato prazer;
olho o Sol com que me embalas
nesta tarde que é um amanhecer!
indeterminado por quim às 15:41

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