Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003

2004

Que este ano que vai entrar vos traga a satisfação dos vossos anseios.
Que tudo o que de mau existiu deixe de existir.
Que a tristeza desapareça.
Nasça a alegria!
indeterminado por quim às 12:06

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2003

Esboço para uma viagem.

Eram extremamente apelativos; estavam ali à minha disposição; em cima da mesinha de cabeceira. Era uma caixinha escura que ela usava para ter à mão os comprimidos que a faziam dormir. Nunca liguei qualquer importância ao valor daquela caixinha e, no entanto, ela continha o passaporte para uma viagem, uma sem retorno. Nunca houvera pensado nisso, excepto naquela noite; uma noite em que ela não estava ali deitada comigo (nunca mais estaria); uma noite em que acabara de chegar de mais um bar e depois de ter ingerido um bom pedaço de álcool para me aquecer a alma tão fria e tão dormente que já nem a sentia. Também, para que queria eu uma alma? Que é que ela me dá ou me faz?
A caixinha preta continuava ali.
Quantos comprimidos teria ela deixado desde a última vez que a encheu depois de os tirar da embalagem de marca do medicamento? A minha mão direita estendeu-se para aquela caixinha preta tão apelativa como tão consoladora pelo imaginário que já me estava a provocar. Não custaria nada e dormiria para sempre; tão bom. Era disso que eu estava a precisar ou seria de mais um pouco de gin? Mas para tomar os comprimidos eu precisava de beber alguma coisa e essa coisa estava também ali à mão; debaixo da cama, talvez também deitada no chão por cima do tapete; teria ainda algum líquido? O suficiente para engolir os comprimidos? Já não tinha forças para me levantar e ir buscar outra garrafa.
A caixinha preta continuava ali e a minha mão já estava em cima dela. Senti aquela textura (penso que era marfim) sob os meus trémulos dedos mas senti-a fria e um arrepio percorreu-me a coluna; ou teria sido outro tipo de arrepio?
Não sei quanto tempo estive com aquela caixinha na mão.
Não sei quanto tempo demorei a tomar uma decisão.
Não sei quanto tempo a olhei com um turvo olhar.
Não sei porque razão não a segurei.
Dei por mim a olhar para ela sem saber para que é que ela servia e naquele momento apenas me apeteceu dormir; tão perto do derradeiro sono; tão desejado; ali tão à mão.
Reparei então que estava deitado sobre o lugar dela com o braço direito estendido para a mesinha de cabeceira segurando a caixinha preta que continha o passaporte para a derradeira viagem; tantas vezes assim estivemos; tantas vezes senti o seu calor, o seu respirar, o seu arfar; tantas vezes assim ficamos depois de fazermos amor. E, neste estúpido momento, repetia aquela posição estendendo a minha mão para uma viagem.
Não consegui conter o choro; não consegui aguentar as lágrimas; não consegui segurar a caixinha preta. Não consegui partir.
Restou-me a certeza que no dia seguinte teria mais uma noite de frio.

indeterminado por quim às 19:18

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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2003

FELIZ NATAL

Não ficaria bem deixar passar esta data no meu blog sem deixar aqui impresso o meu desejo para todos vós que me visitam.
Um bem haja e que 2004 seja portador de tudo o que ambicionam.
Saúde e tudo determinado em vez da minha
indeterminação!
indeterminado por quim às 10:59

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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2003

mais de Jorge Arrimar

"Silêncio"
Não esperem que responda
à pergunta que não conseguiram formular.
As palavras são escravas do silêncio
que a minha voz deixou libertar.
Não queiram ouvir-me de novo
cantando canções que jamais saberei:
a pauta é longa no sono
que em toda a noite busquei.
Venham sem me trazer
eu já não sei de onde sou...
Vão sem me levar
eu não sei para onde vou...

de Jorge Arrimar

(enviado por raposa@sapo.pt)
indeterminado por quim às 22:19

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Esquecimento

Esquecimento !

Ai se eu fosse pássaro e voasse
E do mais alto deste monte descobrisse
Os teus pensamentos e sonhasse
Que a visão de sonho em sonhos me sorrisse!
A um momento a vida se resume.
Num só instante, várias vidas,
Como numa gota de perfume
As flores do mundo inteiro, reunidas.

Ai se eu fosse puro pensamento
E na tua mente pesquisasse
A razão do esquecimento!
Talvez, finalmente, eu aceitasse

Porque é, para mim, tão incerto
O tempo que a vida há-de trazer!
Porque é que, estando tão perto,
Estou sempre, de longe, a ver!

(Ai minha Inspiração!
Como é possivel teres olhos tão bonitos e não veres?!...)
DUBLINER


(enviado por amok_she)
indeterminado por quim às 19:03

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Jorge Arrimar

"Despedida"
Tu vais para o outro lado
do oceano que esconde o mito,
vestida de incertezas, inacabado
poema que se liquefaz em grito
Lá te espera o espinho e a flor,
a aurora de um tempo velho e novo
que modelas nos teus lábios com o sabor
da chaga que se consome num sorvo.
Procuras-te no insondável espelho
dum passado que se redescobre feito.
Amanhã o gesto estagnado e velho
renascerá puro em antigo leito.
Vai, que ao ires também ficas
em nós, porque te soubeste dar...
Vai, que ninguém vai para sempre,
se como tu se deixou ficar...


from: Jorge Arrimar

(enviado por raposa@sapo.pt)
indeterminado por quim às 10:47

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Domingo, 21 de Dezembro de 2003

Vasco Graça Moura

Gentil Rapaz, que tens em teu poder
foice, ampulheta e horas a correr;
que cresces de sumir-te e desocultas
amantes a murchar, se doce avultas;
soberana a Natureza, em coisas más,
quando avanças te puxa para trás
e tenta com destreza desgraçar
o Tempo e o instante atroz matar.
Mas teme-a, ó favorito a seu decoro,
ela retém, mas não guarda o tesouro!
Terás resposta, atrase-se a auditar-te,
e nela a quitação é entregar-te.

"Sonetos de Shakespeare", de Vasco Graça Moura

(enviado por PanteraNegra)
indeterminado por quim às 22:32

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Vertigem

Vertigem.JPG
Ou "Velocidade", ou ainda como o tempo passa depressa!
indeterminado por quim às 21:28

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Urgente

Urgentemente

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

from:

Eugénio de Andrade


(enviado por amok_she)
indeterminado por quim às 20:51

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Amora Morena

//
Amora Morena //

Amora Morena, o Douro só fala de ti, eu vou já
Lá fora cai chuva mas cá dentro faz mais sol que no Sará
Porque hoje eu vou voltar a ver-te e contar-te
Mais coisas sobre o meu mundo
Porque hoje eu vou poder sentir-te
Bem perto, bem fundo

Amora morena, é bom saber que existes
Tu sabes-me bem
Amora morena, para mim tu tens um gosto
Que mais ninguém tem

Agora é o Tejo a dizer-me "mais meio caminho e já está!"
E aposto que o dia amanhã vai ser o dia mais lindo que há
Que a bela aurora nos vai encontrar juntos
A salvo do burburinho
Então eu vou fechar os olhos
E cantar baixinho

Amora morena, é bom saber que existes
Tu sabes-me bem
Amora morena, para mim tu tens um gosto
Que mais ninguém tem

Amora menina, menina dançando com o vento suão
Dançando morena, amora batendo no meu coração
Enquanto o meu comboio vai deslizando
Nas linhas do meu destino
Tu vais chegando sempre mais
Mais do que eu imagino

Tu sabes-me bem
Tu tens um cheiro
Que mais ninguém tem

de:
JORGE PALMA

(a pedido da amora-silvestre)
indeterminado por quim às 16:04

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