Segunda-feira, 22 de Março de 2004

Determinado

Olhou-se ao espelho naquela manhã de vento norte que forte soprava na sua janela; os seus olhos marcados por largas olheiras de uma noite mal dormida não lhe permitiram uma razoável visão; colocou os óculos; mirou-se melhor; a boca estava seca e os lábios pareciam cortados; o cabelo despenteado ainda que curto cortado; o nariz comprido deu-lhe a noção de grandiosidade que não tinha (nem queria, ou será que sim?); retirou os óculos e pousou-os perto.
Abriu a água fria e meteu a cabeça debaixo do jacto; estremeceu e abanou a cabeça como cachorro molhado há pouco; olhou-se de novo; pela cara escorriam as gotas da água com que se fizera acordar daquele sono pesado; olhou profundamente nos seus próprios olhos mas teve de colocar novamente os óculos para se ver melhor.
A imagem que mirava era interessante apenas porque nova; quem via era alguém que já não via há muito tempo.
Estava ali, à sua frente, alguém que tinha dormido um sono bastante longo.
Estava ali, à sua frente, alguém que acordara de novo.
Foi preciso uma espécie de baptismo.
Foi preciso nascer de novo, como que surgir do ventre materno e sentir a placenta feita água gelada escorrer-lhe pela face.
Sorriu.
Sentiu-se novo, bonito, airoso, sorridente.
Piscou um olho a ele mesmo.
Sorriu de novo.
Pegou na espuma de barbear.
Tinha toda uma nova vida à sua frente.
indeterminado por quim às 17:10

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25 comentários:
De Ltus a 27 de Março de 2004 às 04:28
Sim ... esperemos que sim ... porque estar livre demasiado tempo cansa!... a certa altura aprisiona ... enfim ... será que nunca estamos bem?!... e tudo torna-se demasiado triste ... mas por agora que sejas livre ;-) beijos ***
De inde a 24 de Março de 2004 às 08:27
Livres até uma nova prisão? :)
De Ltus a 24 de Março de 2004 às 02:11
E subitamente ... sem explicações ... sem razão aparente ... ficamos livres ...e que estranho isso parece ser ... mas finalmente livres ...beijos ***
De inde a 23 de Março de 2004 às 13:53
Volta.
De Cruz a 23 de Março de 2004 às 12:11
Volto ou não volto?...
De inde a 23 de Março de 2004 às 11:53
Obrigado à CatS. :)*
De Cat S a 23 de Março de 2004 às 11:17
Muito bem.:)
De inde a 23 de Março de 2004 às 10:39
Singularidade, mulher, abraço. Que faço? Saio da vulgaridade da palavra, faça o que fizer neste tempo e neste espaço? Não sai de mim palavra que demonstre o que na minha alma vai; paz pretendes dar e que melhor dádiva fará o amor se amar? A palavra singular desta terra plantada à beira mar onde ainda se canta a pedra filosofal; não, não faz mal. Vamos por aí, vamos pelo caminho da paz que de amor (tanto me faz desde que ame) eu preciso não tanto como de amar. Obrigado pelos textos; pretextos com diversos contextos. Um abraço. Não podes voltar. Deves voltar!
De Cruz a 23 de Março de 2004 às 10:12
Escolho um abraço porque é paz que quero dar,ou seja estou a agradecer-lhe com o abraço recíproco.
Bem haja e que nunca desanime na busca do sentido do amor , mesmo quando o silêncio inunda.
Até porque o que melhor há em nós anda nos nossos silêncios. E porque sou desta lusitana terra com muito gosto mais uma reflexão .........
Bestial

Entre punir e premiar,
qual doença bi-polar entre besta e bestial
( da primeira não será o segundo
o provável exponencial ?),
e qualquer animal
é muito mais que reflexo condicional,
assim vão os pensares em Portugal.
Linda terra , abençoada p’lo Sol
de costas viradas para o mar,
sem se olhar a tal,
nem sequer ao mal estar...
e tão longo é ele já...
de não soltarmos o ser,
libertando intuição
e bem querer,
e ter a audácia das ondas do mar
e ir em busca do saber.
Gostamos , queremos gostar de gostar
e assim viver,
mas giramos, mortiços,
submissos , angustiados ,
à volta de quem já não sabe gostar,
as bestas bestiais, responsáveis mais
pelas circunstâncias de caos e asfixia actuais,
e deixamo-nos levar nessa mania de julgar
e outros infelizes copiar,
de quem nos querem fazer crer
mais felizes pelo ter
e assim nos menorizar,
quando nossa riqueza é ser.
(Sincronicidades - estranhas coincidências...
toca a Pedra Filosofal
nesta praia celestial )
De Cruz a 23 de Março de 2004 às 09:51
Sou mulher. Conscientemente mulher.Uni o coração à mente e consciencializei a singularidade.Singularidade

Ao identificar o homem em si
a mulher sente-se finalmente mulher.
Ao identificar a mulher em si
o homem sente-se finalmente homem.
Só mulher e homem livres
cientes do seu ser sexo
e do seu não sexo
podem ser um.
Então a entrega dos corpos
será a verdadeira expressão do amor.
E somos todos assim.
Os caminhos é que são
combinações até ao fim .
A singularidade.
Falo de paz porque é ela que sinto e ela é para se partilhar.Paz

Como dizer da Paz
se a Paz não se diz?
Como desenhar transparência
se o transparente não se vê?
Como mostrar o que é plano
se dimensões são todas
quando geométrico não é?
Como explicar continuidade
entre o sólido da rocha,
o granular da areia,
o líquido do mar,
o gasoso da ar,
se a ponte se faz,
quando a luz o permite,
entre o calor do magma
e o frio do cristal,
no plasma, início e final,
do que é intemporal?
É como falar dum campo
onde anjos são demónios
e estes aqueles,
quando em sua essência não são
o que a existência
apresenta como alucinação
e pecados do mal.
Mas a Paz não mais se despede,
porque temores inexplicáveis
do que é complexo se vão
e sente-se então
o que é simples fusão.
Parece pura ilusão
as fronteiras que preconceito traça
entre loucura e o que é são,
a quem leve assim se sente.
Aqui, ao pé do mar,
onde as ondas
simulam braços de nebulosas,
é plena a Paz,
porque tudo me diz
que é vero o que sinto.
Sinto-me parte e feita de tudo,
também feita e parte de ti.

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