Terça-feira, 6 de Abril de 2004

Pele

Estou cansado de ser quem sou. Preciso mudar. Deixar de ser um e passar a ser outro. Mas quem? E, porquê este desejo? Não sei. Não me reconheço. Estou cansado de mim. Quero renascer em ti. Mas tu, quem és? Que fazes aí? Porque olhas assim para mim? Achas que devo mudar, é? Mas, diz-me ao menos para quê? De que me serve mudar? Se mudando não mudo a minha alma? De que serve mudar se voltar a ficar cansado da mudança? Porque entendes que deve existir mudança? Não posso ficar aqui? Onde sou? Como estou? Para que vim? Para onde queres que eu vá? Diz-me. Faz-se tarde e a viagem tem de ser iniciada de novo. Já nada do ontem levarei comigo. Fica tudo ali onde fui eu, onde estive e me despi da pele que me cobre a alma agora desnuda. Levarei tão somente o que me vieres a dar. De mãos vazias te seguirei. Sim, irei. Estou cansado de mim. Preciso adormecer o meu ser. Não quero mais acordar aqui. Quero ir. Leva-me.
indeterminado por quim às 17:02

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36 comentários:
De Ltus a 15 de Abril de 2004 às 04:30
Ora ai está algo com o qual concordo em absoluto ... viver sem trabalhar ... um sonho ... beijos ***
De inde a 13 de Abril de 2004 às 21:11
A Alma não muda nunca Aran! Nunca! É imortal e eterna! Podem passar todos os amores, todos os ódios, todos os choros e todas as risadas que ela será imutável! Beijo.
De Aran_aran a 13 de Abril de 2004 às 21:07
Para se mudar a alma, só com o brotar de um novo amor dentro de ti, mas nem sempre ele aparece quando precisamos mais, o que é triste... e sei se te dissese "vem, agarra na minha mão, mesmo assim de mãos vazias" sei que tu virias e embarcarias nesse conforto, ao mesmo tempo com esperança, em encontrares em mim o amor que te falta! Sei que é assim, pois esse momento já o vivi... e nenhuma mão me estenderam, mas o tempo encarregou-se de me trazer um novo alento! Um beijo
De inde a 13 de Abril de 2004 às 20:43
O grande dilema na mudança, o grande problema para qualquer mudança, é que podemos até mudar, podemos até passarmos a agir de forma diferente, podemos até passarmos a ser irreconhecíveis... porém, a nossa Alma será sempre a mesma! Como mudar então?
De Ananke a 13 de Abril de 2004 às 17:33
Como te compreendo. Por vezes parecemos estranhos dentro do nosso próprio corpo. Temos necessidade de mudar, revoltamo-nos. Mas a verdade é que a mudança só nós a podemos fazer, tem que partir de nós.
De inde a 12 de Abril de 2004 às 18:44
O meu percurso foi, é e será doloroso, sempre. E não sei como o evitar. Preciso de adormecer e renascer de novo. Preciso de ir. Exactamente, como dizes, onde o coração me levar. Eu irei. *
De FataMorgana a 12 de Abril de 2004 às 16:43
O teu percurso interior é dolorido. É sinal de que voas mais alto, tens asas. :) Segue o teu coração, dói mas vale a pena, é a única coisa que vale a pena, leva-nos sempre aonde está o que é importante (para nós, claro).
De inde a 12 de Abril de 2004 às 11:34
Existem coisas simples mas ao mesmo tempo interessantes; isto nada tem a ver com o que acabamos de escrever, é apenas um pequeno àparte, mas que desejo expressar aqui: o meu post "Pele" foi o meu 70º. artigo deste blog; este teu comentário foi o 700º.! Apenas para registo com um sorriso. Quanto ao teor dos textos, bem, não quero que outro me encontre; eu já encontrei o outro; apenas pergunto para onde ele quer que eu vá; depois, ainda que querendo ir e sabendo que irei de mãos vazias e que nada do "ontem" levarei comigo, continuo a perguntar se vale a pena "mudar"; no entanto, quero mesmo ir e apenas lhe peço que me leve. Beijo grande.
De Carla a 12 de Abril de 2004 às 10:37
Olá Inde,
Já há algum tempo que não tinha tempo de te visitar. Estas visitas são sempre agradáveis. Adoro a profundidade com que escreves, já to devo ter dito, não?
Espero que tenhas passado uma boa Páscoa, cheia de determinações!
Quanto ao teu post, apesar de o achar lindo e de ter gostado, especialmente, da frase:"Fica tudo ali onde fui eu, onde estive e me despi da pele que me cobre a alma agora desnuda"- não posso de deixar de dizer que o tema me faz lembrar «Eu não sou eu nem o outro/sou qualquer coisa de intermédio/pilar da ponte de tédio/que vai de mim para o Outro»de Mário de Sá Carneiro, agora divulgado por Adriana Calcanhoto. Se não te encontras é complicado, mas mais complicado ainda é quereres que outro te encontre. Isso não! Temos que ser nós próprios e não aquilo que os outros querem que sejamos. Beijos da amiga Carla***
De inde a 12 de Abril de 2004 às 08:22
Obrigado. Que tivesses também tido uma Páscoa Feliz. Beijo.

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